Máscara negra

Na pequena cidade de Santana, todos se preparavam para o grande Baile de Máscaras no Clube Parahyba. A festa seria no sábado, sendo ela a abertura para as demais festas até o fim do longo feriado.


Mariana se preparava com todo cuidado sua fantasia de gueixa. Sua mãe cuidava de cada detalhe da fantasia da filha. Queria que ela ganhasse o prêmio de melhor fantasia. Com isso, poderia chamar atenção e ganhar novas clientes, afinal, era uma boa costureira.


Às sete horas da noite os pais deixavam seus filhos na porta do Clube e iam direto para o Hotel Vesúvio, onde começava o carnaval dos pais de família.


Mariana não se preocupava nem um pouco em ganhar prêmio algum. Ela queria mesmo era encontrar alguém nessa festa. Uma pessoa que a fizesse feliz.

O baile começava. Rapazes e moças dançavam por trás de suas máscaras sem nenhuma timidez. Mariana e suas amigas se encontraram.


O tempo ia passando. Tereza conheceu um garoto e sumiu no meio da multidão, Maria foi logo atrás de seu namoradinho secreto. Sobraram Mariana e Elisa, que logo teve que ir embora pois seu pai havia arrependido de deixá-la ir na festa.

Sozinha, Mariana foi até o jardim do clube. Caminhando sem compromisso sentou-se em um banco em frente a uma fonte. Pedro um padeiro, amigo de Mariana, que sempre foi apaixonado por ela a seguiu, mas não aproveitou a oportunidade de ir se declarar. Voltou para o baile empurrado por sua timidez.


Ainda sentada sentiu alguém tocar seu ombro. Com um rápido reflexo virou-se para trás assustada. Era um rapaz que não estava com uma fantasia chamativa, estava apenas de terno e uma máscara negra que lhe cobria todo rosto. Antes que a moça falasse algo ele foi logo dizendo:

-Perdão se te assustei! Não era minha intenção! Gostaria de convidar para dançar! É inadmissível  uma bela senhorita ficar sentada! - disse estendendo a mão.

Timidamente Mariana aceitou a mão do cavalheiro, que então perguntou:

-Como se chama?
-Mariana. E você?

-Arlequim - disse ele rindo.
-Ah! Se é assim, Colombina! Com muito prazer! - disse Mariana aprovando.
-Mas não estou mentindo. Fui batizado com esse nome... É coincidência mas é verdade - riu.


Aceitando a afirmação do rapaz, os dois começaram a dançar a música. Arlequim tirou um lenço do bolso e colocou em seu ombro. Logo depois pediu para que ela encostasse nele.
Mariana achou estranho mas acabou fazendo. No lenço estava um delicioso aroma que a jovem jamais tinha sentido.


Após um tempo encostada no ombro Mariana saltou e começou a dançar euforicamente com  o rapaz. Depois de perceber que todos a olhava Arlequim a tomou pelo braço e a levou para o jardim novamente.


Ainda de máscara no rosto, no jardim, o rapaz disse a garota:

-O que está acontecendo? 
-Eu não sei... Tem mais deste perfume?



Arlequim com um sorriso educado retirou um vidro do bolso e deu a ela. A música já estava um pouco mais distante, mas ainda podia ser ouvida perfeitamente. Estava tocando o sucesso de Dalva de Oliveira, Máscara Negra.


Mariana não sabia que essa romântica canção seria trilha sonora de um momento que marcará sua vida para sempre.


Estava ainda consciente quando o rapaz a beijou mesmo com a máscara no rosto. Após isso ela, envergonhada tentou fugir. Porém sentiu um lenço com o mesmo perfume tocar seu rosto.


Agora caminhava para mais distante do baile. Podia ouvir a música tocando ainda. Sem entender uma pergunta que Arlequim fez, respondeu um caloroso ''sim''.


Na manhã de domingo a fantasia de Mariana foi encontrada no bosque do Clube. A cidade ficou aterrorizada. Ela foi dada como morta. Mas o que ninguém sabia era que a moça não terminara sua jornada, ela estava apenas começando.


Pedro, o jovem e tímido rapaz, amigo de Mariana chorava todos os dias por nunca ter se declarado seu amor por ela.

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