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Mais Um Dia

Mal tinha aberto as portas, um homem chega até o bar. O dono até pensou que era ladrão, mas logo viu a cara de choro do sujeito. Pensou, "Mais um desiludido..." O homem parecia ter uns 40 anos, seus cabelos já eram mais brancos do que pretos. Estava com os olhos inchados, parecia que segurava o choro a um bom tempo. Sentou no banquinho do balcão, jogou sua pasta no chão e bateu a mão na mesa: -Me vê a pior que o senhor tiver!! Quando pedem a pior ele nem hesita em dizer nada. Pegou logo a pior e virou no copinho para o sujeito beber. O homem parecia nunca ter entrado em um bar. Tentou dar o primeiro gole, não conseguiu. No segundo quase vomitou. Quando ia tentar o terceiro, o dono do bar disse: -Forte né? O homem olhou para ele, abaixou a cabeça e começou a rir. -É, acho que não vou conseguir... - disse rindo. -Não quer tentar outra mais leve? -Acho que não, obrigado. Não sou de beber, foi apenas por impulso que vim aqui. Barbosa levantou os olhos concordando. Depois disso ti...

Máscara negra

Na pequena cidade de Santana, todos se preparavam para o grande Baile de Máscaras no Clube Parahyba.  A festa seria no sábado, sendo ela a abertura para as demais festas até o fim do longo feriado. Mariana se preparava com todo cuidado sua fantasia de gueixa. Sua mãe cuidava de cada detalhe da fantasia da filha. Queria que ela ganhasse o prêmio de melhor fantasia. Com isso, poderia chamar atenção e ganhar novas clientes, afinal, era uma boa costureira. Às sete horas da noite os pais deixavam seus filhos na porta do Clube e iam direto para o Hotel Vesúvio, onde começava o carnaval dos pais de família. Mariana não se preocupava nem um pouco em ganhar prêmio algum. Ela queria mesmo era encontrar alguém nessa festa. Uma pessoa que a fizesse feliz. O baile começava. Rapazes e moças dançavam por trás de suas máscaras sem nenhuma timidez. Mariana e suas amigas se encontraram. O tempo ia passando. Tereza conheceu um garoto e sumiu no meio da multidão, Maria foi logo atrás de seu namoradinh...

Somos iguais

Eduardo era empresário. Carlos era faxineiro. Em plena segunda-feira, dia no qual Eduardo mais se estressava com os problemas da empresa um fato ocorre. No final do dia, Carlos sentindo-se injustiçado decide falar com o patrão. A secretária inconformada com o pedido do faxineiro disse que o patrão não poderia conversar no momento. Carlos disse a ela que iria esperar. Sentou-se no sofá com seu simples uniforme. A funcionária irritava-se ao ver que o sujeito agora foliava algumas revistas. De repente a porta do escritório se abre. Eduardo despede-se de alguns homens e pergunta à secretária: -Mais alguém? -Não senhor! Por hoje é só! - disse a mulher com um sorriso amarelo. Ao ouvir isso Carlos levanta-se indignado. -E por um acaso eu sou ninguém?! Eduardo olhou o homem de baixo para cima. Espantado perguntou. -Quem é você?! O faxineiro se aproximou: -Oi seu Eduardo. Sou Carlos, faxineiro aqui da sua firma! -E o que você quer?! - disse o patrão nervoso. -Podemos conversar na sua sala? Edua...

Lição

Chegou em casa mais uma vez irritada. Ela definitivamente não conseguia entender o que é o amor. Não sabia nem se ele existia. Todo dia era assim. Via suas amigas apaixonadas, dizendo que mais tarde iriam sair com seus namorados, que estavam amando! Ela sempre fria, dava um sorriso concordando com o que as meninas diziam, que para ela não passavam de fúteis e iludidas. O que Ana não sabia era que, em breve, encontraria um significado para o amor. Um significado que ia além das descrições de dicionários ou livros românticos. O amor realmente existe, bastava um empurrão do destino para que ela se encontrasse com ele. Não que ela se apaixonará no decorrer desta história, mas finalmente deixará seu coração apto a um dia amar alguém. Em seu quarto, onde passava praticamente todas as tardes, resolveu pegar um livro que comprara em um sebo. Ele estava ali fazia tempo. Como gostava de ler e estava barato, acabou pegando vários livros sem saber que levava junto uma velha edição de "Os sofr...

A Dúvida de Barbosa

Com o anel na mão, Barbosa tem uma dúvida Não sabe o que é melhor: Pagar a dívida ou recomeçar sua vida. Ah! Aquela vida era bem melhor que sua dívida. Disso não duvidava. Nunca.

A decisão de Helena

Três da madrugada, uma das horas onde o bar se encontra em sua mais profunda decadência. Havia uns dez clientes, Barbosa com os olhos vermelhos fazia de tudo, limpava, trazia mais cerveja, pinga, petiscos e o que mais pedissem. Limpava o chão, o balcão e ainda expulsava alguns bêbados que começassem a atrapalhar, mas claro, antes pegava o dinheiro da carteira sem que percebessem, parecia ter uma técnica. João viu aquilo e logo gritou: – Eu que sou esperto! Não fico bêbado aqui! Senão o senhor pega meu dinheiro todo! – Só pego o que me devem! – Quem garante? - disse João rindo. – Está achando que sou ladrão? - respondeu Barbosa com a cara fechada. – Quem meche na carteira dos outros pra mim é ladrão! – O senhor se continuar falando assim comigo te ponho na rua! João se levantou da cadeira e jogou sua garrava de cerveja no chão. Parecia não brincar mais. Com o rosto vermelho aproximou-se de Barbosa e o pegou pelo pescoço: – Melhor o senhor parar de graça!...

O primeiro a chegar

Mal tinha aberto as portas, um homem chega até o bar. Barbosa até pensou que era ladrão, mas logo viu a cara de choro do sujeito. Pensou, "Mais um desiludido..." O homem parecia ter uns 40 anos, seus cabelos já eram mais brancos do que pretos. Estava com os olhos inchados, parecia que segurava o choro a um bom tempo. Sentou no banquinho do balcão, jogou sua pasta no chão e bateu a mão na mesa: – Me vê a pior que o senhor tiver!! Quando pedem a pior pra seu Barbosa, ele nem hesita em dizer nada. Pegou logo a pior e virou no copinho para o sujeito beber. O homem parecia nunca ter entrado em um bar. Tentou dar o primeiro gole, não conseguiu. No segundo quase vomitou. Quando ia tentar o terceiro, Barbosa disse: – Forte né? O homem olhou para ele, abaixou a cabeça e começou a rir. – É, acho que não vou conseguir... - disse rindo. – Não quer tentar outra mais leve? – Acho que não, obrigado. Não sou de beber, foi apenas por impulso que vim aqui. Barbosa levantou os...